Revista Araçá celebra Miró
Uma edição inteira dedicada a Miró da Muribeca A Revista Araçá, publicação cultural pernambucana, lançou hoje uma edição especial inteiramente dedicada a Miró da Muribec
Miró da Muribeca, nome artístico de João Flávio Cordeiro da Silva, nasceu em Recife e iniciou sua carreira poética em 1984. Desde seu primeiro livro “Quem descobriu o azul anil”, Miró publicou mais de 15 obras de forma independente.
Figura singular na cena literária recifense, Miró circulava pelos mais diversos espaços vendendo seus livros e recitando seus poemas, sem filiar-se a nenhum coletivo específico. Sua performance corporal única e seu lirismo do cotidiano o consagraram como um verdadeiro cronista urbano

Nasce no Recife e mora com sua mãe em bairros da periferia. Mudam-se para a Quadra José Revoredo, em Santo Amaro

Nas peladas do bairro, recebe o apelido de Mirobaldo, por conta de um atacante do Santa Cruz (foto) com quem parecia.

Em Santo Amaro, conhece Maurício Silva, que lhe apresenta à poesia e publica seu primeiro poema.

Trabalha na Sudene e conhece Wilson Araújo e Maria do Carmo Barreto Campello. Vai morar na Muribeca.

Lança "Quem descobriu o azul anil?" no Recife, Juazeiro e Petrolina. Conhece Manuka Almeida

Vive em Petrolina e conhece Milton Aguiar, com quem viaja para a Bienal de São Paulo

Viaja com Diane Jacobson e Milton Aguiar pelo Brasil. Lança "São Paulo é fogo" no Recife e em São Paulo

Passa uma temporada em Visconde de Mauá, com Milton Aguiar e amigos, numa fase mais reflexiva.

Circula intensamente pela cena alternativa, participa de saraus e projetos independentes. Conhece Cida Pedrosa, que se torna grande amiga.

Lança "Ilusão de ética" no Recife. Tem rápida passagem por São Paulo, onde segue construindo seu público.

Mora na Aldeota com a namorada Mércia. Conhece André Gonçalves e Vanessa Santos.

Lança "Quebra a direita, segue a esquerda e vai em frente". Volta a viver na Muribeca com a mãe. Na foto, no bairro com Diane em 1987

Nova passagem por São Paulo. Conhece Edson Lima e lança "São Paulo te amo mesmo andando de ônibus"

Volta a morar em Fortaleza com André e Vanessa. Trabalha numa agência de publicidade, seu segundo e último emprego formal.

Torna-se objeto de estudos acadêmicos e de curtas metragens, entre eles, "Preto, pobre, periférico e poeta", de Wilson Freire

Conhece Marco Pezão e a periferia de São Paulo, onde se torna referência poética. Lança "Quase crônico".

Sua obra é adaptada para o teatro pelo Grupo Clariô. Lança "dizCrição". Sua mãe, dona Joaquina, morre em São Bento do Una.

"Miró até agora", organizado por Sennor Ramos, reúne toda sua produção até então.

Os problemas com o uso abusivo de álcool se aprofundam. Miró é o único morador de seu prédio na Muribeca.

Interna-se por conta do uso abusivo do álcool. É homenageado da Bienal Internacional do Livro de Pernambuco.

Sua obra é adaptada para os quadrinhos na HQ "Tô Miró". Interna-se pela primeira vez no Raid, para tratar da dependência.

Mora em pensões perto do Pátio de Santa Cruz, Boa Vista, faz intervenções com lambes e lança "livros-envelope".

Mora no Hotel Central, lugar que inspirará seu último livro, "O céu é no sexto andar", editado por Sennor Ramos. Namora com Daniela Câmara, seu último relacionamento afetivo.

É homenageado por Marcelino Freire na Balada Literária. Perde o amigo Marco Pezão.

Um grupo de apoio é formado para ampará-lo na pandemia. Ao final do ano, é diagnosticado com câncer, em estágio avançado.

Com a reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, um totem exibe Miró recitando sua poesia. O item faz parte da coleção permanente.

Falece na manhã de 31 de julho no Hotel Central. Seu funeral é lembrado como um dos maiores de escritores realizados no Recife

A partir de projeto de Cida Pedrosa, uma estátua de Miró produzida por Demétrio Albuquerque é inaugurada no Bairro do Recife.

Os restos mortais de Miró são cremados e, depois de salvaguardados pelo Muafro, são dispersados no Rio Capibaribe.
Miró publicou mais de 15 livros, a maioria de forma independente ou com apoio de amigos. Nesta seção, conheça sua bibliografia completa, assista a vídeos e confira imagens raras do poeta.
Quem descobriu o azul anil
Edição do autor, Recife
São Paulo é fogo
Pé de Crer, Recife
Ilusão de ética
Edição do autor, Recife
Poemas de lascar
Edição do autor, Recife
Ilusão de ética (2ª edição)
Livros e Letras, Fortaleza
Quebra a direita, segue a esquerda e vai em frente
Edição do autor, Fortaleza
São Paulo eu te amo, mesmo andando de ônibus
Sampalavras, São Paulo
Poemas pra sentir tesão ou não
Mão de Veludo, Olinda
Pra não dizer que não falei de flúor
Edição do autor, Fortaleza
Onde estará Norma?
Edição do autor, Recife
Tu tás aonde?
Edição do autor, Recife
Só falta um
Livrinho de Papel Finíssimo, Recife
Quase crônico
Edição do autor, Recife
dizCrição
Andararte, Recife
Miró até agora
Interpoética, Recife
aDeus
Mariposa Cartonera, Recife
Miró até agora (2ª edição)
Cepe Editora, Recife
O penúltimo olhar sobre as coisas
Mariposa Cartonera, Recife
Amanhã não existe ainda (envelope);
Edição do autor, Recife
As esquinas parecem não perdoar o peso de tantos bêbados. (envelope)
Edição do autor, Recife
20 para pensar um pouco. (envelope).
Edição do autor, Recife
Meu filho só escreve besteira (envelope)
Edição do autor, Recife
O céu é no sexto andar
Claranan, Recife
Atchim!
Cepe Editora, Recife
O carro do ovo (póstumo)
Ganesha Cartonera, Rio de Janeiro
Corpoeticidade: poeta Miró e sua poesia performática (dissertação de mestrado)
Poesia, humor e farpas: leitura de poemas de Miró da Muribeca (2002) e de Leila Míccolis (2013) (artigo)
Performance e resistência em tempos de crise na poética de Miró da Muribeca: um esboço (artigo)
A Poética de Miró: uma representatividade negra e periférica da literatura brasileira Contemporânea (artigo)
Viagem ao país do futuro (capítulo de livro)
Poesia, mesa de bar e goles decadentes
Miró deixou, para além da obra, uma enorme cadeia de afetos, que construiu ao longo da vida. Neste seção, confira depoimentos de amigos e ouça trechos de entrevistas de Miró para a biografia Estou quase pronto.
Durante o processo de escrita da biografia Estou quase pronto, Wellington de Melo reuniu um volume significativo de impressos raros de Miró.
A fonte principal foram as correspondências que ele trocou com Diane Jacobson, com quem namorou na segunda metade da década de 1980.
Aqui, a seleção de quatro impressos raros da época, selecionados pelo curador.
A fala sobre como conheceu Miró em Fortaleza, quando publicou a segunda edição de Ilusão de Ética e descobriu que o poeta e o aparelho de fax não eram familiarizados.
O poeta e performece paulista conta as aventuras da viagem de Juazeiro do Norte a São Paulo com Miró para participar da Bienal do Livro e um episódio curioso a bordo do Passat Trovão Azul.
O escritor pernambucano conta como conheceu Miró em São Paulo, no Espaço Plínio Marcos da Benedito Calixto, no começo dos anos 2000.
Biografia de Miró da Muribeca, escrita pelo escritor e curador da obra do poeta, Wellington de Melo. Da infância na Vila Revoredo às andanças pelo Brasil, da luta contra o álcool às escolhas que fez para tornar-se um dos poetas mais populares do país.
Uma edição inteira dedicada a Miró da Muribeca A Revista Araçá, publicação cultural pernambucana, lançou hoje uma edição especial inteiramente dedicada a Miró da Muribec
Uma estátua em homenagem ao poeta recifense Miró da Muribeca, que morreu em 31 de julho de 2022, foi inaugurada na Avenida Rio Branco, no Bairro do Recife, no Centro da cidade,
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